Quando me pediram para contar essa história, eu percebi que estava diante de um dos maiores desafios da minha vida. E olha que depois de anos de amizade com esses dois, desafio é uma coisa que nunca faltou. Já sobrevivemos a viagens, mudanças, resenhas históricas e algumas decisões questionáveis tomadas depois da meia-noite.
Mas vamos do começo. Toda boa história precisa de protagonistas, e os nossos são figuras únicas.
Conheci o Lincoln em 2017, no primeiro ano da faculdade. E bastaram alguns minutos de conversa para eu perceber que ele não era uma pessoa comum. Sabe aquele ser humano que acorda feliz numa segunda-feira? Que conversa com qualquer pessoa? Que consegue animar um ambiente inteiro só de entrar na sala? Pois é. A gente costuma dizer que, se um Golden Retriever pudesse virar gente, ele viraria o Lincoln. E isso nem é exagero.
Já a Camila entrou na minha vida um pouco depois, mas rapidamente se tornou alguém impossível de ignorar. A famosa mãezona do grupo. Aquela pessoa que sabe onde todo mundo está, se alimentou, levou blusa e chegou em casa bem. Ao mesmo tempo, é a maior incentivadora oficial de qualquer comemoração existente. Para a Camila, não existe "não tem motivo para festejar". Se o motivo não existe, ela inventa um.
Mas agora vamos ao momento em que os caminhos desses dois começaram a se cruzar.
Lá por 2019, o Lincoln apareceu todo empolgado contando que tinha conseguido um emprego novo. "É na área da faculdade!", dizia ele. "E tem um monte de gente nova trabalhando lá!" Até aí, tudo normal. Alguns meses depois, ele já estava completamente integrado ao ambiente corporativo. E por integrado, quero dizer que participava religiosamente de todos os happy hours possíveis e imagináveis. Se tivesse reunião de alinhamento no bar, ele seria promovido. Foi então que, em um desses papos, ele comentou casualmente: "Ah, tem uma menina lá do trabalho que eu tenho conversado bastante...". Pronto. Começou. Mas naquele momento ele garantia: "Não é nada demais. Somos só amigos". Sim. Claro. Exatamente como começa toda história de amor. Nos meses seguintes, a frequência com que o nome "Camila" aparecia nas conversas aumentava misteriosamente. "Ah, a Camila falou isso...", "Ah, a Camila fez aquilo...", "Ah, a Camila...". E eu respondia: "Meu amigo, cuidado. Essas histórias de relacionamento no trabalho dão problema". Ele ria, negava e desconversava. Até que um dia chegou todo animado dizendo que iria ao cinema. Perguntei: "Com o pessoal do trabalho?". Ele respondeu: "É...". Fiz uma pausa. "Ou com a Camila?". Ele deu aquela risadinha de quem já foi descoberto. "Com a Camila." Mas, segundo ele, era apenas um cinema entre amigos. Kkkkkkkkkkkkk. Coitado. Era inocente.
Resumo da história? Eles ficaram naquele dia.
E eu continuei insistindo: "Cara, toma cuidado. Vocês trabalham juntos". E ele respondia: "Relaxa. Não quero nada sério. É só um lance". Só um lance. Mal sabia ele que a Camila já estava escrevendo um roteiro completamente diferente. Porque, enquanto o Lincoln achava que estava vivendo um capítulo, a Camila já tinha escrito o livro inteiro. Até que chegou o dia. Ela colocou o rapaz contra a parede e perguntou, basicamente: "E aí? O que nós somos?". Nesse momento, dizem que foi possível ouvir o cérebro do Lincoln reiniciando. Tela azul. Erro 404. Sistema indisponível. Porque, na cabeça dele, era para ser apenas um lance. Mas, no fundo, ele já sabia. Gostava dela. Gostava muito. E foi aí que a história realmente começou. Ou pelo menos foi o que nós pensamos. Porque, na verdade, não foi a Camila que entrou para os nossos rolês. Nós é que passamos a entrar nos rolês dela. E desde então tive a felicidade de acompanhar tudo de perto. Viagens, momentos inesquecíveis, risadas, planos e conquistas. Sempre com a mesma dinâmica perfeita: a Camila organizando absolutamente tudo e o Lincoln... bom... sendo o Lincoln e alegrando todo mundo no processo. Também estive presente em momentos históricos, como a mudança para a casa onde eles moram juntos. Aliás, aquele dia redefiniu completamente o conceito da palavra "resenha". Foi um evento tão caótico e divertido que deveria ser estudado pela ciência. Mas também participei de momentos emocionantes, como o dia em que acompanhei o Lincoln comprando a aliança de noivado. E ali ficou muito claro o quanto ele queria que tudo fosse perfeito, o quanto estava feliz e o quanto tinha certeza da escolha que estava fazendo.
E hoje, olhando para tudo isso, parece impossível não perceber como essa história foi construída da melhor forma possível: com amizade, parceria, muitas risadas, muito amor e uma quantidade absurda de resenhas. Por isso, meus amigos, quero que vocês saibam que estarei ao lado de vocês neste momento tão especial, assim como estive em tantos outros. Torcendo, apoiando, ajudando e celebrando cada conquista dessa jornada.
Amo vocês dois. Que este dia seja incrível. Que a felicidade acompanhe vocês em cada passo dessa nova fase. E que nunca faltem motivos para aquilo que vocês mais gostam de fazer: reunir família, amigos, dar boas risadas e celebrar o amor. E nunca se esqueçam da maior lição que essa amizade nos ensinou:
O meio da rua é o bixô!
Com carinho,
França, Francisco, Fransozo